10 de out. de 2010

"... guarda o teu coração!"

Descobri esses dias que às vezes alguns de nós fazemos do nosso coração um armário de guardar roupas. Eu tenho sido uma dessas pessoas e tenho aprendido que a diferença entre um coração e um gaurda-roupa pode ser apenas a sua estrutura física. Em um coração mal administrado, ao invés de existirem músculos e sangue que fazem pulsar a vida, sem querer podemos guardar um monte de porcaria.

Nos meu guarda-roupa, por exemplo, guardo frases e atitudes antigas, que raramente tenho disposição para limpar e que eventualmente eu busco para ilustrar situações atuais, que provavelmente nada tenham a ver com o ocorrido passado. Geralmente os objetos antigos ficam nos compartimentos mais dificeis, lá em cima, mas ainda sim eu os busco fazendo do passado um objeto vivente.

Nas gavetas de baixo estão as situações mais recentes. No entanto, ao invés de deixar ao alcance das mãos as coisas das quais eu mais preciso, eu insisto em deixar à primeira vista, os objetos mais desagradáveis de ver. Eles estão lá, as roupas e os acessórios da estação passada ainda insistem em ser os primeiros que eu vejo. Eu não os vendi e não os doei. Não sei o que fazer com eles e eles não me servem mais.

Na verdade eu já comprei e ganhei muitas coisas até mais bonitas do que as que um dia eu tive. Já ganhei declarações de amor e afeto, juras para toda uma vida e não sei por que as tranquilharias ainda encontram lugar no meu guarda-roupa. De vez em quando eu até o renovo e ele fica robusto e pronto para mais uma estação, no entanto, eu finjo jogar fora as coisas velhas, mas sempre as deixo lá, pensando "quem sabe um dia eu precise"...

Qualquer dia desses eu tiro definitivamente o mofo do meu guarda-roupas e paro de guardar nos cabides qualquer entulho que me falam na rua, deixando à mostra somente a sua estutura bonita e maciça. Confesso que parece até meio melancólica, mas é de muito bom gosto. É feito da melhor matéria-prima e com o passar dos anos só fica mais bonita.

Na Bíblia, o nosso coração é assim, uma obra-prima de materia-prima especial, mas que precisa ser moldada. Considerado como a nossa consciência e tudo o que temos vontade de fazer, Deus nos fala da importância de protegê-lo dos entulhos do passado, mágoas, avareza, mentira e angústia, dizendo...“Sobre tudo o que se deve guardar,

guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida". (Pv 4.23)

O mais inteligente a se fazer é guardar o nosso coração. Só ele importa.Tudo que o contamina e o entulha, é excesso e deve ser jogado fora. Isso eu afirmo e confesso que devo aprender.

27 de set. de 2010

Desafiando Gigantes


O filme até tem um roteiro um pouco previsível e facilmente a gente pode descobrir o seu desfecho. Mas como a sua mensagem não é para complicar e sim para esclarecer, e Deus não existe para esconder a verdade e sim para revelar, eis que "Desafiando Gigantes" traz à luz a verdade de Cristo e como Ele quer que vivamos. Uma vida maravilhosa e sem mistério, e o segredo para completa felicidade e realização é este:

"Vencer jogos de futebol é uma coisa pequena para se viver e eu adoro futebol tanto quanto qualquer um de vocês, mas até os troféus de campeonato vão encher de poeira e são esquecidos. Acontece que até agora tudo se tratou da gente e de como nós podemos ficar bem e de como podemos conquistar a glória; mas quanto mais eu leio a Bíblia, mais eu eu descubro que a vida não se trata de nós. Não estamos aqui apenas para obter a glória, ganhar dinheiro e morrer. A Bílbia fala que Deus nos colocou aqui por Ele, para honrá-lo. Jesus disse que a coisa mais importante na vida é amar a Deus com tudo o que somos e amar aos outros como a nós mesmos. Se vencermos todos os jogos e perdermos isso, então não fizemos nada (...) Temos que honrá-lo nos nossos relacionamentos e no respeito as autoridades... Temos que dar o melhor em todas as áreas. Se vencermos o louvaremos. Se perdermos o louvaremos. Vamos honrá-lo com nossas ações e atitudes. Então pergunto a vocês. Para quem vocês vivem?" (personagem Grant, treinador do time Eagles)

Eu achei fantástico! Não coloque sua fé em lugares errados. Não se trata só de um jogo de futebol. Só Jesus pode suprir todas as nossas necessidades, se o colocarmos no centro da nossa vida ;)

20 de ago. de 2010

Algumas coisas para contar...

Eu já sabia, mas até então não tinha parado quatro horas do meu dia para constatar o quão penqueno ou grandioso podemos ser nós, seres humanos, BRASILEIROS.

Há quase um mês eu topei participar do Recenseamento do meu país, e desde então tenho observado realidades diferentes. Na verdade eu não vou conhecer lugares diferentes; fiquei encarregada por um setor bem conhecido, por nós, natalenses - uma área relativemente nobre, de condomínios e casas - um lugar conhecido e bem comum, mas repleto dos mais variados tipos de pessoas.

O interessante neste trabalho tem sido perceber o quão diferentes nós podemos ser, mesmo morando em lugares tão iguais e basicamente na mesma situação; o quão algumas pessoas que possuem bastante coisas materiais podem parecer tão pequenas. Só posso constatar que ou elas são assim, ou fazem questão de parecerem assim...

O Censo Demográfico acontece de 10 em 10 anos no Brasil, e tem o objetivo básico de contar a população e de observar o desenvolvimento ou não, do país. Algumas perguntas sobre escolaridade, idade e rendimento são feitas e é exatamente nestas últimas onde sempre encontramos um certo tipo de resistência por parte dos entrevistados. Algumas pessoas devem acreditar que no alto dos seus 8 mil reais mesais, obtiveram o direito de serem mal educadas e auto-suficientes (Na verdade eu acho que valor nenhum é tão grande que seja capaz de tornar alguém auto-suficiente, pois NUNCA SEREMOS).

O que sinceramente venho observado é que uma grande parte de nós, brasileiros, nos tornamos desacreditados. O que é mais lamentável é que não nos tornamos só desacreditados com essa massa de políticos corruptos que aí estão, mas nos tornamos indiferentes com as pessoas.

"Com o meu próprio suor eu consegui o meu salário de 8 mil reais. Tenho meu próprio apartamento e tenho meu carro na garagem, o que me livra do ônibus lotado. Do que eu preciso mais? Estou no alto. Para quê responder perguntas?"


Esta é uma reflexão minha, mas que infelizmente pode ser verdade em muitos daqueles andares. Temo que essa reflexão seja verídica não só se tratando da pesquisa do IBGE. Temo que as mesmas pessoas que pensam assim, se comportem assim, com o resto da vida delas. Cada vez mais altos nos seus 8 ou 10 mil reais mensais, elas esqueçam que do outro lado da fechadura existem pessoas tão vítimas quanto elas de um sistema que sobrevive da marginalidade de muitos.

O que ainda me consola é perceber que a maioria das pessoas são diferentes. Na verdade muitos querem contribuir. Eu acredito que os moradores que me atendem dispostos a responder ao Censo, são os mesmos que acreditam que nas próximas eleições de 3 de outubro ainda dá para fazer alguma diferença, votando em algum candidato que tenha propostas consistentes a favor da realidade do país, ainda que este(a) não vença ou não lhes prometa favores. Ainda que para isso precisemos sair da nossa zona de conforto e nos importar com o que se passa fora dos nossos recantos.

Pelos indiferentes, eu lamento. Vivem em um apartamento pequeno e alto demais. Eu não os alcanço e não quero. Aos felizes, sorridentes e que têm a disposição de criar 7 gatos, mesmo que sejam todos pretos, eu agradeço. Estes são os bons brasileiros e que fazem jus ao nome.

Coisas como essas, eu vi e contei, ninguém me disse.

2 de ago. de 2010

Bem além do que se vê...

Um amor cheio de futuro, onde o que se vê não é apenas o que está ao alcance dos olhos. Assim deve ser o verdadeiro sentimento daqueles que amam.

Essa foi uma frase que ouvi, certo dia, em uma dessas inúmeras palestras que falam sobre a matéria prima de Deus. Nela, ressaltaram a idéia de que é antes de tudo, o amor de Deus é um sentimento promissor e que nós, seres humanos, temos a possibilidade de sermos copiadores deste amor.

Não é à toa que Deus nos promove, nos acolhe no meio da nossa multidão de pecados e vê em nós um futuro que se quer imaginamos. Acho que isso é coisa de alma e quando se trata de amor não pode ser diferente.

Talvez só se possa mesmo dizer "Eu te amo" para alguém quando se consegue ver na outra pessoa esse amor promissor ou quando se consegue ver na vida em comum algo bem além do que o presente. Agora vocês dois tem dívidas, ainda estudam, passam o maior perrengue, mas conseguem enxergar o que há de melhor um no outro. Existe algo a mais!

Acredito que esta seja a essência do amor que Deus gostaria que nós sentissemos uns pelos outros. Um amor que promove o outro, que faz crescer. Um amor que sabe esperar, porque acredita. Um amor que bota fé no futuro.

Esses dias ouvi uma música da década de 90, quando as baladas eram românticas e os casais dançavam de rosto colado. A música é "True Colors" da Cyndi Lauper e fala de um amor que vê além do que a pessoa parece ser no momento, e por isso é amor... achei bonita. Olha:

"You can lose sight of it all (Você pode perder a visão de tudo)
And the darkness inside you (e a escuridão dentro de você)
Can make you feel so small (pode fazê-lo se sentir tão insignificante...)

But I see your true colors
Shining through (Mas eu posso ver suas cores verdadeiras brilhando sem parar)
I see your true colors
(Vejo suas cores verdadeiras)
And that's why I love you" (e é por isso que eu te amo!)

Eu te desejo esse amor, por que tenho vivido ele. Sempre quis pra mim um amor que ao menos se parecesse um pouco com o amor de Deus por mim...


Acho que Ele me ouviu *.*

8 de jul. de 2010

E as mulheres têm pago o preço...

Eu tinha que fazer um trabalho que me daria a última nota deste semestre em uma disciplina que trata de políticas socias. Eu deveria estudar a Lei Nº11.340 de agosto de 2006 e precisaria de exemplos, precisaria de fatos para ilustrá-la. A Lei em questão chama-se Maria da Penha e tenta punir os agressores contra mulher, assim como evitar a violência. Ainda na apresentação do trabalho, minha professora, jovem, bonita e independente, nos relatou um fato de violência sofrida pelo ex-namorado. Passando os dias, descobri que outra pessoa chegada, sofreu violência física do marido alcoolizado. Lamentavelmente, os exemplos apareceram e não se cansam de aparecer.

A Lei possui detalhes que só alguém especializado em legislações pode interpretar, no entanto, o que é evidente e que a violência contra a mulher tem muitas faces e estão longe de serem apenas violências físicas. Eu até me atrevo a dizer que ou eu ou você, que somos mulheres, já sofremos ou conhecemos alguém que sofreu agressões. Estas são psicológicas, morais, sexuais, patrimoniais, entre outras. Cada tipo de violência possui uma especificidade diferente que toda mulher precisaria conhecer até para se conscientizar de quando está sendo violentada ou não.

Nesses dias, um caso de violência tem chamado a atenção da opinião pública pela crueldade a qual foi submetida uma mulher. Eliza Samudio, amante do principal goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, ganhou as páginas policias, após o seu desaparecimento hà quase um mês. De acordo com as informações veiculadas, Eliza Samudio, mãe do filho do goleiro, teria não só sofrido diversas agressões quando ainda estava grávida - entre elas sendo coagiada a abortar a criança - como foi cruelmente assassinada.

De acordo com informações veiculadas na mídia, Eliza foi muito agredida e após ter recebido uma "gravata" de um capanga, teve o seu corpo esquartejado e concretado. Ainda segundo informações de um jovem que estava no local do crime e que participou do sequestro, partes do corpo de Eliza foram dados como alimento à cães rottweilers. Bruno, seu ex-amante, seria o mandante do crime.

Nesse caso, o que vemos é mais um retrato cruel de pura violência sofrida por uma mulher, que não abortou um filho contra a sua vontade, mas que foi obrigada a isso meses depois, pagando com a própria vida. Seja em qual for a parte desta história, Eliza Samudio foi extremamente violentada e não só fisicamente.

O acontecimento é lamentável, principalmente pelo fato de o mandante de um crime tão brutal, ser um ídolo de uma torcida tão querida. Casos assim e outros também, me levam a refletir sobre como relacionamentos que teoricamente deveriam ter um vínculo afetivo, conseguem se transformar em verdadeiros pesadelos. Me faz pensar como pais, maridos e namorados, que deveriam estar ao nosso lado para nos proteger, se transformam em protagonistas da nossa morte como mulher.

Talvez nem todos os casos tenham o triste desfecho do caso de Eliza, mas certamente muitas mulheres mundo à fora, sentem-se mortas, todos as vezes que sofrem humilhações, agressões, coações, entre outras formas de violência.

Infelizmente, assim como muitas coisas não funcionam neste país, o cumprimento da Lei Maria da Penha ainda deixa muito a desejar. No entanto, ela é uma luz, é o primeiro passo. Como em qualquer outro caso de repercussão nacional, este também dá margens à muitos comentários, inclusive os que afirmam que Eliza era aproveitadora e só procurava por uma boa pensão para si. Mas, ainda assim Eliza foi corajosa quando denunciou, pois hoje a covardia do seu principal agressor foi descoberta.

O meu sincero desejo é que muitas Marias da Penha também se revelem e que os crimes saiam dos quartos escuros, para que outros passos ainda maiores sejam dados.

Chega dessa sociedade doente, onde o ser humano tem sido tratado como lixo e nós mulheres temos sido grande parte dessas vítimas. Está todos os dias nos jornais e cansa!